Azueira: terra de memória, fé e identidade
A Azueira é uma vila do concelho de Mafra, situada entre vinhedos e pomares, numa paisagem marcada pela fertilidade da terra e pela serenidade do Vale do Tejo. Com raízes muito antigas, foi povoada desde épocas pré-romanas, como testemunham vestígios arqueológicos encontrados na região.
No século XIX, a Azueira foi elevada a vila e chegou mesmo a ser sede de concelho entre 1820 e 1855, integrando várias freguesias da região. Apesar das mudanças administrativas ao longo do tempo — incluindo a reorganização de 2013, que a integrou na União das Freguesias de Azueira e Sobral da Abelheira — a sua identidade própria permanece viva. Em 2001, recuperou oficialmente o estatuto de vila.
Hoje, a Azueira continua a ser uma terra de forte ligação à agricultura, especialmente à produção de vinho e fruta, mas também uma comunidade orgulhosa da sua história, das suas tradições e da sua fé. É neste contexto histórico e humano que a nossa igreja está inserida.
A História da Igreja Evangélica do Livramento
A história da Igreja Evangélica do Livramento começa em meados da década de 1960, quando a missionária Vitória Pinto Alves e o seu marido, Vasco de Oliveira Alves, visitavam regularmente familiares no lugar do Livramento, na freguesia da Azueira. Sensibilizados pela realidade social da época e pela ausência de uma presença evangélica na região, sentiram no coração o propósito de ali estabelecer uma igreja.
Com o apoio da Assembleias de Deus de Portugal, e assumindo grande parte das responsabilidades envolvidas, avançaram com a abertura de uma Casa de Oração. Paralelamente, Vitória Alves desenvolveu um intenso trabalho evangelístico, alcançando diversas famílias da freguesia e localidades vizinhas. Como fruto desse empenho, em dezembro de 1970 foi inaugurada a primeira Igreja Evangélica do Livramento, sob direção das Assembleias de Deus.
Poucos anos depois, por volta de 1973, o espaço encontrava-se lotado, com uma frequência média de cerca de 90 pessoas — num contexto ainda marcado por baixos níveis de literacia e por limitações à liberdade religiosa, anteriores à implantação da democracia em 1974.
Em dezembro da década de 1970, já de forma autónoma, a Igreja abriu novas instalações, onde permaneceu até 2001. Em 28 de abril de 1979, foi oficialmente constituída como associação religiosa, por escritura pública no Cartório Notarial de Torres Vedras.
Durante as décadas de 1970 e 1980, a igreja viveu um período de forte dinamismo missionário, participando na plantação de novas comunidades em várias localidades, entre elas Freiria, Torres Vedras, Vila Franca de Xira e Lisboa. Neste período agregou também congregações noutras regiões do país, dando origem ao denominado Movimento de Igrejas de Livramento, referido por Gerald C. Ericson na obra Os Evangélicos em Portugal (1984).
Em 1980, no âmbito da campanha evangelística "Portugal 80 – Cristo é Vitória", participou numa iniciativa pública na Avenida da Liberdade, em Lisboa, que culminou com uma grande concentração no Pavilhão Carlos Lopes, então conhecido como Pavilhão dos Desportos.
Em dezembro de 2001 foram inauguradas as atuais instalações, concebidas como um espaço polivalente e multifuncional, preparado para servir a igreja e a comunidade.
Mais recentemente, a 3 de março de 2019, foram aprovados novos estatutos e eleita uma direção presbiterial, reforçando a estrutura organizativa da igreja.
Ao longo de mais de cinco décadas, a Igreja Evangélica do Livramento tem procurado manter-se fiel à sua vocação: anunciar o Evangelho, servir a comunidade e ser um testemunho vivo da esperança cristã na Azueira e além dela.